Bridgerton by Shondaland: uma resenha da nova série da Netflix

Atualizado: 27 de Dez de 2020



Por cerca de um ano e meio, desde quando o elenco de "Bridgerton" começou a ser anunciado nas redes sociais, em julho de 2019, nós, fãs dos livros de Julia Quinn, esperamos. Não "pacientemente", essa não é uma palavra que poderia ser aplicada ao fandom Bridgerton, sobretudo o fandom brasileiro, que só pode ser descrito como "ávido". Tão ávido quanto fiel, algo que os próprios atores e atrizes (e diretores, roteiristas, bem, todo mundo) começaram a aprender bem cedo. Fãs brasileiras dominavam os comentários e não demorou muito para sermos mimadas com recados especiais até mesmo em português. Acompanhar as filmagens foi um deleite. Um período que não esquecerei e com o qual me envolvi completamente.

Entre as fãs dos livros, sempre houve muitos receios em relação às mudanças que o roteiro da série poderia trazer à história que amamos. Eu não compartilhei muito desses receios, desde o início adotei uma vibe mais "vamos assistir primeiro e ver as novidades que trará", mas compreendo. Finalmente, depois de muita espera, estresse, teorias malucas e muito surto, chegou o dia! E eu, que nunca maratono série nenhuma, vi tudinho em 12 horas!

E esta será uma resenha com spoilers.

Eu, que me preparava para aceitar bem quaisquer mudanças, achei que a série foi até mais fiel ao livro do que imaginei, com algumas cenas bem iguais. Por exemplo, apesar de terem mudado a forma como Simon e Daphne se conhecem, mantiveram a cena do soco que ela dá em Nigel Berbrooke. Eu adorei isso! Daphne nunca foi uma de minhas Bridgertons favoritas e eu simplesmente amei Phoebe Dynevor como Daphne. Não apenas uma atuação precisa (Phoebe interpreta com leveza, mas entrega a intensidade do drama quando a cena exige), mas a caracterização também me agradou muito. Daphne podia não ser uma beldade, mas era bonita, e a forma como a Daphne no baile parece uma princesa e, em casa, ao acordar, parece nossa irmã, é sensacional.



Havia muita expectativa em torno de Anthony e sua amante, Siena Rosso (nos livros conhecida como Maria Rosso), cantora de ópera, porque supostamente ele "não poderia ter envolvimento emocional com ela" - como se isso tivesse alguma chance de diminuir o interesse dele pela Kate, quando esta aparecer na segunda temporada. Eu acho inverossímil supor que esses rapazes mantivessem amantes por longos períodos sem envolvimento emocional, né? E, a meu ver, o caso dos dois foi conduzido de maneira magistral pelo roteiro, com as doses certas de conflito. Anthony foi meio cafajeste quando a dispensou e tentou reatar, mas Siena demonstrou caráter, independência e respeito por si mesma. E no final o caminho ficou totalmente livre para a próxima temporada: do jeitinho que deveria ficar. A primeira temporada termina com Siena sendo uma ex-amante e Anthony dizendo que precisa encontrar uma esposa. Tá tudo encaminhado!

Já a minha expectativa maior estava na trama de Marina Thompson, esposa de sir Phillip, cujo infeliz destino conhecemos apenas no livro 5. A estratégia de adiantar a trama da Marina com os irmãos Crane foi simplesmente brilhante, em termos de dinâmica para a história. Movimentou o núcleo Featherington, deu mais assunto à Lady Whistledown, além de transformar a coluna num ato narrativo com um propósito! Num dia, Penelope está disposta a ajudar a prima. No outro usa sua coluna para expor o segredo de Marina. Claro, porque agora Penelope quer proteger o Colin da armadilha, é compreensível, mesmo que imperfeito, e isso só me faz amar mais a Penelope. Marina não é uma personagem fácil de engolir, na maior parte do tempo eu detestei ela. Por isso mesmo ela é ótima para a série.



Como fã convicta de Benedict e Eloise Bridgerton, não tenho do que reclamar! Não apenas amei a forma como seus personagens foram conduzidos, acentuando certas características que eles já tinham nos livros e expandindo para pequenas tramas, como fiquei emocionada com a proximidade dos dois. A Eloise tentando descobrir e proteger a identidade de Lady Whistledown, porque a admira muito, e o Benedict explorando e descobrindo as vantagens de ser um aristocrata que não está preso às responsabilidades de herdeiro. Foi tudo incrível. A cena do duelo, num momento muito rápido mas significativo, dá um frio na espinha, quando Benedict percebe que seu destino também está sendo decidido ali, caso Anthony morra ou mate.




Eu amei como Benedict já demonstra ter uma atitude mais liberal em relação a certas regras sociais - como ele defende as pessoas de Bloomsbury (bairro conhecido por ser de classe média e profissionais liberais, na época), como ele se envolve com uma mulher que trabalha e não se envergonha disso, admitindo no final que está tendo uma relação com ela, como ele não é pudico nem fica escandalizado ou chocado diante da homossexualidade do novo amigo. Sua curiosidade foi bem construída, fica claro que ele está explorando as possibilidades de driblar regras sociais, mas não está julgando. Eu amei! Além de tudo, lança as bases do único Bridgerton que casará fora do seu nível social. Não é à toa que ele é meu Bridgerton favorito entre os rapazes (embora não seja meu mocinho favorito da Julia Quinn, que é este aqui).

É preciso dizer que, de todos os livros dos Bridgertons, "O Duque e Eu" é um dos que eu menos gosto, e eu esperava que a série consertasse o que eu não gostava. Para isso imaginei que teria que mudar mais do que de fato mudou. Mas não mudou quase nada. E o pior é que alguns ajustes mínimos bastaram para aliviar o desconforto que eu tinha nessa trama.

1) A noite de núpcias: a exclusão das partes da conversa do Simon com a Daphne que deixavam, no livro, claro demais o quanto ela era ignorante sobre sexo, o que piorava terrivelmente a mentira dele. Ainda foi uma mentira? Foi. Mas o nível de manipulação e engano cai bastante.

2) A famosa cena do "estupro de vingança" fica mil por cento melhor pelo simples fato de que Simon está sóbrio. A meu ver, não tem mais como dizer que foi estupro.

Resultado? Eu nem gostava desse casal, nos livros, e agora... Bem, Simon e Daphne podem contar comigo pra tudo, até pra ser babá dos filhos deles, é isto.

E a Lady Danbury? Bem, ela é diferente de tudo que imaginei, sobretudo na idade. Eu imaginava uma personagem bem mais idosa, então, sim, foi contra minhas expectativas, mas eu amei as mudanças e o papel que atribuíram a ela na história do Simon. Ficou muito bem costurado. Sem falar que a atuação da Adjoa Andoh é sem dúvida uma das melhores da série. Ela e Golda Rosheuvel, no papel da rainha, são simplesmente impecáveis. Nível de premiação, sinceramente.

"Bruna, tu gostaste de TUDO?? Não é possível!"

Não, não gostei de tudo. Não gostei da condução do personagem do Colin, achei forçado e pouco crível o interesse dele pela Marina e precipitado o pedido de casamento. Não me convenceu. Embora eu tenha gostado de terem colocado a trama dela neste ponto da história, eu realmente não gostei da parte que envolveu o Colin.

Por fim, não posso deixar de dizer como é acertado revelarem ao público a identidade de Lady Whistledown. Sonhei com isso, desse jeitinho! Resolvido o problema do spoiler de quem já leu todos os livros. Além disso, eu achava meio impossível darem o destaque e tempo de tela que claramente seria dado à Penelope (a atriz Nicola Coughlan vem sendo apresentada como uma das protagonistas da série desde o início) sem que isso fosse revelado. O segredo conecta o público à personagem da Penelope, seremos seus cúmplices e poderemos acompanhar como é que essa mocinha consegue fazer essa façanha de publicar um jornal de grande sucesso anonimamente - algo que no livro dela fica meio jogado, na minha opinião. Só temos a ganhar!

Agora é esperar pela segunda temporada. E por todas as que virão!

p.s.: Para quem chegou aqui através de Bruna Guerreiro, escritora, talvez não saiba que eu sou criadora e administradora da Luke Thompson Brasil, única fanpage mundial (por enquanto?) do ator Luke Thompson, que interpreta Benedict Bridgerton. A LTBR está presente no Instagram, Facebook e Twitter.

p.p.s.: Para quem chegou aqui através da Luke Thompson Brasil, prazer, eu sou a Bruna! Sim, a equipe sou só eu mesma! Sou autora de romances e este é meu blog.

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